29 de abril de 2015

Teatro Apolo

O “Theatro do Príncipe Real” foi inaugurado em 1865, em homenagem ao Príncipe D. Carlos e futuro Rei de Portugal, nascido em 28 de Setembro de 1863. Este Teatro, propriedade de Francisco Viana Ruas, ocupou os mesmos terrenos onde tinham existido dois salões de bailes e concertos: o “Wauxall” e o “Meyerber”. O edifício projectado por Luís Ruas situava-se na esquina na Rua da Palma, na freguesia de Santa Justa, em Lisboa. “Dois Pobres e Uma Porta”, em 3 actos e, “Muito Padece Quem Ama” são as comédias apresentadas na inauguração.

Recordo que na cidade do Porto, já tinha sido inaugurado, em 1855, um teatro com o  mesmo nome o “Theatro do Príncipe Real”. Começou por ser um barracão de madeira, e, em 1867, é construído outro de pedra e cal; com a implantação da República em 1910, este “Theatro do Príncipe Real” passa a chamar-se “Theatro Sá da Bandeira”.

“Theatro do Principe Real” na Rua da Palma, em Lisboa

1873

Palmira Torres a actriz principal da peça “A Severa”, de Júlio Dantas em 1906

No final da primeira temporada do “Theatro Livre”, em 1905, Araújo Pereira e Luciano de Castro - seus fundadores em 1904 - abandonaram esse projeto para fundar, com Simões Coelho, o “Theatro Moderno”, que ficou sediado no “Theatro do Príncipe Real”, onde se apresentara antes o “Theatro Livre”.

O “Theatro Moderno” teve, contudo, uma existência ainda mais efémera do que o seu antecessor, durando apenas o mês de Julho de 1905. Sob a direção artística de Araújo Pereira, destacou-se por ter levado à cena um repertório exclusivamente português, com textos de Ramada Curto (“O Stygma”), Carrasco Guerra e Eloy do Amaral (“Mau Caminho: Episódio Doloroso”), Bento Mântua (“Novo Altar”), Mário Gollen (“Degenerados”), Afonso Gayo (“Quinto Mandamento”), Amadeu de Freitas e Luís Barreto da Cruz (“A Lei Mais Forte”).

                                          1878                                                                                        1905

  

Até 1870, quase todas as representações, tanto de peças teatrais como de operetas e operetas cómicas ficaram a cargo da “Companhia do Theatro do Principe Real” (Santos & Pinto Bastos). Além desta a “Companhia Ernesto Rossi”.

                                    Cartaz de 1908                                                                              Bilhete

                                      

Após 1910 o regime republicano altera o seu nome para “Theatro da Rua da Palma” e a partir de 1914 passa a ser denominado “Theatro Apollo”.Agulha em Palheiro”, é primeira revista original após a instauração da República. De Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e Lino Ferreira, foi um êxito estrondoso estreado em 23 de Fevereiro de 1911, e considerada a primeira revista verdadeiramente republicana, pelo seu «espírito revolucionário»… em 3 actos e 12 quadros e com música de Filipe Duarte e Carlos Calderón, foi interpretada por nomes como Lucinda do Carmo, Nascimento Fernandes, Amélia Pereira, Isaura, e João Silva, entre outros, foi um acontecimento.

Na obra “O Teatro em Lisboa no tempo da Primeira República” pode -se ler:

«Situado na Rua da Palma desde 1866, o ex-Teatro do Príncipe Real anunciava, logo após a implantação da República, dramas populares e baixa comédia, operetas e teatro de revista. Era, na altura, seu ensaiador António Pinheiro, funções de que foi dispensado no fim da época quando Eduardo Schwalbach alugou o teatro a Luís Ruas, então seu proprietário».

      Revista “Agulha em Palheiro”, Fevereiro de 1911            Revista “Paz e União” estreada em 3 de Janeiro de 1914

 

Dois anúncios na revista “O Palco”, em 5 de Fevereiro e 5 de Março de 1912, respectivamente

 

                                                                            “Teatro Apolo”, na Mouraria

Entrada

 

                                            Bilheteira                                                                            Hall de entrada

 

Sala de espectáculos

 

  

                              “Ponto” Adriano Mendonça                                              Chefe electricista António Ferreira

 

O teatro em Portugal, volta a merecer uma atenção particular de uma crítica algo agastada com o excesso de produção revisteira, de qualidade duvidosa. «Em cada teatro, em cada animatógrafo, em cada casino surge uma revista. Ultimamente foram um fracasso na sua maioria talvez mercê do ambiente, talvez pelos excessivos rigores da polícia do antigo regime.».

                                             1924                                                                Capa de “Programa” de 1927/1928

 

“Teatro Apolo” com a opereta “O Colete Encarnado” em cartaz, estreada em Janeiro de 1941 e respectiva publicidade

 

Capa e contra capa da partitura do “Fado da Rusga” da opereta “Mouraria” estreada em 18 de Outubro de 1946

 

“A Dama das Camélias” estreada pela companhia “Os Comediantes de Lisboa” em 22 de Dezembro de 1949

 

“O Club de Gangsters” estreada pela companhia “Os Comediantes de Lisboa” em 11 de Janeiro de 1950

 

A última companhia que esteve no “Teatro Apolo”  foi brasileira, dirigida pela actriz Maria Della Costa. A primeira visita da companhia de “Teatro Popular de Arte do Brasil”  de Maria Della Costa a Portugal tinha ocorrido em 1956, ano em que o público pôde assistir, no “Teatro Apolo”, a textos de autores variados como Abílio Pereira de Almeida («Moral em Concordata», 1956), Henrique Pongetti («Manequim», 1957), Tennessee Williams («A Rosa Tatuada», 1957), Jean Anouilh («O Canto da Cotovia», 1957) e Jean-Paul Sartre («A Prostituta Respeitosa», 1957), entre outros. De referir que a peça «A Prostituta Respeitosa» só pode ir à cena com cortes, depois de uma longa batalha  com a censura do Estado Novo, sendo chamada pelos meios de comunicação, de modo conservador, de «A... Respeitosa».

Bilhete

A segunda estada da “Companhia de Teatro Popular de Arte” de Maria della Costa viria a ser no Cine-Teatro Capitólio”, entre Outubro de 1959 e Março de 1960.

A última peça a ser representada no “Teatro Apolo” foi «A … Respeitosa», de Jean Paul Sartre, pela companhia de “Teatro Popular de Arte” de Maria della Costa estreada a 10 de Maio de 1957. A última representação teatral, nesta teatro foi na noite de 14 de Junho de 1957. Na altura do encerramento do “Teatro Apolo” o empresário deste teatro era Erico Braga.

Apesar dos inúmeros sucessos, o “Teatro Apolo” após ter sido leiloado o seu recheio em 22 de Agosto de 1957, foi demolido no mesmo ano.

Notícia em 1957

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa,

28 de abril de 2015

26 de abril de 2015

Pavilhão dos Desportos de Lisboa

O actual “Pavilhão Carlos Lopes”, conhecido por “Pavilhão dos Desportos”, localizado no alto do “Parque Eduardo VII” em Lisboa, foi projetado pelos arquitectos Guilherme e Carlos Rebello de Andrade e Alfredo Assunção Santos.

 

Este Pavilhão, foi fabricado em Portugal, assim como os restantes pavilhões da representação portuguesa, com estrutura em ferro, transportado posteriormente para o Brasil para incorporar a grande “Exposição Internacional do Rio de Janeiro”, que abriu a 21 de Maio de 1922 e que se prolongou até 30 de Março de 1923, por altura das comemorações do “I Centenário da Independência do Brasil”. Foi um dos pavilhões portugueses no certame tendo sido este o “Pavilhão Português das Indústrias”.

A propósito destes pavilhões da representação portuguesa, o jornal “A Vanguarda” escrevia em 23 de Maio de 1922:

«Esta resolução teve ainda a vantagem de deixar em Portugal a maior parte do dinheiro que os pavilhões custam; é por isso mesmo que o esqueleto deles é em ferro e os demais elementos que os constituem são na sua maioria susceptíveis de larga duração, permitindo que sem avarias os pavilhões, finda a exposição, se possam desarmar e utilisar em qualquer outro local.»

“Pavilhão Português das Indústrias” na “Exposição Internacional do Rio de Janeiro”

 

“Pavilhão de Honra” de Portugal (arquitecto Carlos Ramos) na “Exposição Internacional do Rio de Janeiro” inaugurado em Dezembro de 1922

 

O “Pavilhão Português das Indústrias”, permaneceu no Rio de Janeiro e depois de ter estado fechado por uns anos, acolheu entre 1 e 16 de Agosto de 1925  a “Primeira Exposição de Automobilismo do Rio de Janeiro”.

 

Em 1929 este pavilhão de Portugal, construído sobre uma estrutura metálica, foi desmontado e transportado para Portugal. Depois de reconstruído e montado, no “Parque Eduardo VII” em Lisboa, com a supervisão do arquitecto Jorge Segurado, foi-lhe dado o nome de “Palácio das Exposições e Festas”. A sua abertura deu-se em 3 de Outubro de 1932 com a “Grande Exposição Industrial Portuguesa”. A propósito, o jornal “Diario de Lisbôa” escrevia:

«Mas se de uma maneira geral, a Grande Exposição está de pé, e, como sucede sempre, se se fôsse a esperar que tudo estivesse no seu lugar nunca mais se abria a Feira Industrial do Parque Eduardo VII.
A Exposição - iniciativa triunfante, dizemos já - divide-ase em dois sectores: O Palacio e o ar livre.
No Palacio de Festas, formoso edifício cuja ossatura foi aproveitada do pavilhão que figurou na Exposição do Rio de Janeiro, está uma parte grande dos 1.000 «stands», que tantos são os que figuram no catálogo.»

Exemplos de 2 painéis do mestre Jorge Colaço, concluídos em Julho de 1922 e fabricados pela “Fábrica de Loiça de Sacavém”, que enriquecem o exterior do Pavilhão

 

“Palácio das Exposições e Festas” em 3 de Outubro de 1932 na abertura da “Grande Exposição Industrial Portuguesa”

 

Vista aérea da área envolvente ao “Pavilhão de Festa e Exposições” em 1934

Em 1946 foi transformado para ser o “Pavilhão dos Desportos”, onde se disputou, em 1947, o “Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins”, e que Portugal venceu. Em  27 de Agosto de 1984 mudou novamente de nome para “Pavilhão Carlos Lopes”.

Algumas actividades ao longo das décadas de sua existência

  Festa do, ainda, “Batalhão de Sapadores de Bombeiros”                   Desfile do concurso das “Marchas de Lisboa”

 

Área envolvente do “Pavilhão dos Desportos”  em 1950

                   “Salão Automóvel de Lisboa” de 1934                           Exposição da “APT - Anglo Portuguese Telephone”

 

O “Pavilhão Carlos Lopes” encontra-se actualmente em estado de abandono, esperando por melhores dias …

Na última década, a sua recuperação foi já projectada como espaço multiusos, museus do desporto, discoteca, centro de congressos e até pista de gelo… Em 24 de Fevereiro de 2015, a “Assembleia Municipal de Lisboa” aprovou, por unanimidade, uma recomendação para que a Câmara promova a recuperação e reabilitação do “Pavilhão Carlos Lopes”.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Hemeroteca DigitalArquivo Municipal de Lisboa